Modernização sem interrupções: 

Caminhos práticos para os bancos da América Latina

Os bancos da América Latina estão avançando rapidamente em seus processos de modernização do core bancário. Felizmente, é possível adotar uma abordagem modular para essa transformação, gerando resultados consistentes. 

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Os bancos da América Latina estão avançando com seus planos de modernização do core bancário. Apesar de terem operado de forma rentável com sistemas legados por muitos anos, as instituições financeiras enfrentam hoje expectativas crescentes dos clientes e um ambiente competitivo que exige maior agilidade, velocidade e escalabilidade. 

Ainda assim, muitas organizações têm um longo caminho pela frente. 

Segundo pesquisas da PCMI e da Temenos, 60% dos sistemas de core bancário na região ainda dependem de tecnologia legada, criando oportunidades para fintechs e concorrentes digitais conquistarem clientes com produtos e experiências mais modernas. A modernização deixou de ser uma opção, mas isso não significa que precise ser disruptiva.

A questão que os bancos enfrentam hoje não é se devem se modernizar, mas como fazê-lo gerenciando riscos, custos e a continuidade operacional. Existem diversos caminhos viáveis.

Substituição completa do core: adequada para alguns, mas não para a maioria

A substituição integral do core, frequentemente chamada de transformação full-stack, oferece uma visão atraente de longo prazo. Ela pode proporcionar uma arquitetura mais limpa, infraestrutura moderna e uma base sólida para a inovação contínua.

No entanto, essa abordagem também envolve compensações significativas. A substituição completa normalmente exige investimentos iniciais elevados, longos prazos de implementação e maior risco operacional. Por isso, costuma ser viável apenas para instituições de grande porte, com equipes técnicas robustas, recursos financeiros expressivos e forte patrocínio executivo.

Mesmo nesses casos, substituir o core em um único ciclo de transformação pode expor os bancos a interrupções de serviço, desafios regulatórios e resistência interna, especialmente quando os sistemas legados estão profundamente integrados aos processos de negócios.

Modernização progressiva: uma alternativa mais prudente

Em vez de substituir tudo de uma só vez, muitos bancos estão adotando a modernização progressiva, uma abordagem que se concentra na evolução do core em etapas ao longo do tempo.

As instituições começam priorizando capacidades críticas, como onboarding, pagamentos ou produtos de contas com alto volume de transações. Essas áreas são modernizadas primeiro, permitindo a entrega de melhorias visíveis sem comprometer as operações diárias.

Essa abordagem faseada ajuda a reduzir os riscos de implementação, preservar a continuidade operacional e demonstrar avanços mensuráveis desde o início. Como resultado, a modernização progressiva tornou-se o caminho mais adotado por bancos de médio e pequeno porte que buscam equilibrar inovação e estabilidade.

Modernização modular: desacoplar para ganhar controle

Enquanto a modernização progressiva se concentra em quando a mudança acontece, a modernização modular se concentra no que muda e em como a arquitetura viabiliza essa transformação.  

A modernização modular baseia-se em uma arquitetura orientada a componentes, permitindo que os bancos modernizem de forma independente partes específicas do core. Em vez de substituir um sistema completo, as instituições podem desacoplar funções específicas, como pagamentos, onboarding digital ou recursos de autoatendimento, modernizando-as no seu próprio ritmo.  

Essa abordagem é particularmente adequada para instituições de médio porte que operam sob restrições mais rigorosas de orçamento e disponibilidade de talentos. Ao priorizar os módulos de maior impacto, os bancos podem gerar resultados mais rápidos, fortalecer a confiança interna e, quando apropriado, prolongar a vida útil dos sistemas existentes.  

Mais importante ainda, a modernização modular permite a coexistência entre plataformas legadas e modernas. Essa flexibilidade reduz a disrupção operacional e, ao mesmo tempo, cria um caminho claro para uma arquitetura preparada para a nuvem e preparada para o futuro.  

Camada de APIs (wraparound): um caminho intermediário  

Alguns bancos adotam uma estratégia intermediária conhecida como API wraparound, que consiste em sobrepor interfaces modernas aos sistemas de core existentes.  

A integração orientada por APIs possibilita novos canais digitais e experiências omnicanal sem a necessidade de substituir imediatamente o core subjacente. Embora não substitua a modernização no longo prazo, essa abordagem pode acelerar o time-to-market, reduzir parte dos riscos e apoiar uma migração gradual para uma arquitetura modular.  

Em muitos casos, o API wraparound torna-se parte de uma estratégia híbrida mais ampla, conectando as limitações atuais às capacidades futuras.  

Demonstrar resultados sem interromper as operações  

Um dos padrões mais evidentes entre as iniciativas de modernização bem-sucedidas na região é o foco em projetos-piloto visíveis em áreas de alto impacto. Ao iniciar pelos pontos de maior dor operacional, especialmente aqueles em que os ganhos para o cliente são mais facilmente perceptíveis, os bancos conseguem validar o progresso internamente antes de comprometer investimentos mais significativos.  

Métricas como adoção de funcionalidades digitais, custo por transação, disponibilidade dos sistemas, time-to-market e satisfação dos clientes (NPS) ajudam a quantificar o retorno sobre o investimento (ROI) nos estágios iniciais e a orientar a tomada de decisões ao longo da jornada. Dados de entrevistas indicam que programas de modernização bem executados costumam recuperar o investimento entre 2,5 e 4 anos após a implementação, segundo o estudo Temenos Value Benchmark.  

Escolher um caminho realista para avançar  

Não existe um modelo único para a modernização do core bancário. Cada instituição deve avaliar a pressão competitiva, a maturidade tecnológica interna, o apetite ao risco, os requisitos regulatórios e seus objetivos estratégicos de crescimento.  

No entanto, os bancos mais bem-sucedidos compartilham uma mentalidade comum: tratam a modernização não como um projeto de tecnologia, mas como uma transformação do negócio conduzida por fases. Seja por meio da substituição completa, da evolução modular ou de modelos híbridos habilitados por APIs, o objetivo permanece o mesmo: construir uma arquitetura flexível que permita inovar sem comprometer a resiliência operacional.  

Porque, no cenário atual, adiar a modernização não elimina o risco.  

Apenas o posterga. 

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